Portugal Mental

Monday, October 16, 2006

A maior omissão do Dicionário de Verbos Portugueses

Nos últimos 15 anos, o dia a dia dos portugueses esteve dominado por uma nova forma de estar na vida, daí ter surgido a necessidade de incluir um novo verbo no seu léxico usual, o verbo corruptar. Aproveito para conjuga-lo no Presente e no Passado esperando que o Futuro venha a ser mais risonho, pois ainda acredito que tudo terminará depois da chegada de D. Sebastião.

Passado

Eu corrupto
Tu corruptas
Ele corrupta
Nós corruptamos
Vós corrupteis
Eles corruptam


Presente

Eu corruptei
Tu corruptaste
Ele corruptou
Nós corruptamos
Vós corruptais
Eles corruptaram

Sunday, October 15, 2006

Turismo de Catástrofe


Durante o meu ritual das tardes de domingo, momento dedicado à leitura, para o evitar o tradicional passeio domingueiro do português, responsável pela massificação das praias portuguesas e das geladarias, dos centros comerciais e dos cinemas, eis que surge uma notícia acerca da queda da Ponte Entre os Rios, entre os vários artigos da revista Visão. Desde logo veio à lembrança o enraízado Turismo de Catástrofe, produto turístico mais apetecido do mercado nacional. Levianamente acreditava que este turismo tinha o seu timing, no entanto, não é que volvidos 5 anos continuam a chegar diaramente a Castelo de Paiva excursões de todo o País, repletas de famílias que se unem numa causa, a contemplação da desgraça. E a bem da economia nacional, as empresas de autocarros já descobriram este filão, lançando uma grande ajuda na recuperação económica anunciada esta semana pelo nosso ministro Manuel Pinho, ao contrário do instituto de turismo de Portugal e das agências de viagem, que continuadamente negligenciam este subsector do turismo. Quanto ao povo, esse mantém-se fiel aos gostos, disposto a gastar o que pode e não pode para contemplar uma boa desgraça ou as energias negativas do local. Também aqui encontro espaço para a empregabilidade dos psicólogos portugueses, tamanho trabalho terão pela frente na tentativa de recuperação da sanidade mental destes humildes servos. No entanto, considerando o momento que atravessamos seria melhor apostar na rentablização deste negócio. Constatando tal facto, aproveito para deixar um conselho ao nosso admirável Presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, o Dr. Fernando Ruas, o mesmo que aconselhou a apedrejar os funcionários públicos a bem do progresso nacional e a todos os presidentes de câmara. Afim do progresso do turismo interno, em vez de construirem infra-estruturas de interesse turístico, apostem tudo numa calamidade, de preferência, daquelas que surjam nas primeiras páginas dos jornais durante semanas a fio. Inclusivamente, afim de comprovar a minha proposta, desafio os entendidos na matéria a compararem o número de visitas da nova piscina de Castanheira de Pera, o mais badalado investimento turístico dos últimos tempos com o memorial às vítimas da Ponte Entre os Rios. Certamente chegarão à mesma conclusão que eu. Vá para fora cá dentro.